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Mostrando postagens de abril, 2022

Apesar da dor, amor.

 Apesar do nosso marco ser o dia 11 de maio, eu tenho um dia só para mim para contabilizar o tempo de relacionamento que dividimos. 1º de abril.  Tenho certeza que em algum momento em escrevi para você que esse foi o dia em que algo dentro de mim mudou, em relação a você. "Como uma pegadinha". Uma crise em uma cidade ainda estranha, e a única coisa que diluiu meus maus sentimentos foi pensar em você. Alguém que, até então, me irritava. E foi nesse dia eu percebi que não era por você ser irritante, mas porque você foi a primeira pessoa em muito tempo que me desafiou de alguma forma, que me surpreendeu, que trouxe algo novo para uma realidade já muito acomodada.  Como prova viva da minha rejeição à mudança, temos o último mês e meio. Desde que você me falou que gostaria de morar sozinho, meu mundo virou de cabeça para baixo. Não só pelas inseguranças que desenvolvi, mas pela forma brusca  como me vi saindo de tudo aquilo que eu conheço: o apartamento, o bairro, a rotin...

Let time me patient

"Pensa bem. Você não tem que provar nada para ninguém. Eu quero ver você bem, ver você feliz. Pensa Ma, pensa mesmo, pensa com carinho. Não se prenda a ele e ninguém, só em você." Achei que conseguiria passar um dia sem chorar ou me sentir a menor pessoa do mundo. Ouvir a clara preocupação na voz da minha mãe enquanto tento ao máximo manter a voz firme e animada é, contudo, de partir o coração. "Você não tem que provar nada para ninguém." Essa afirmação ecoa na minha cabeça desde que nos falamos e tenho tentado trazer isso para a realidade. Eu sempre sinto que preciso provar algo. Sinto isso desde que consigo me lembrar, na verdade. Se tem algo que me move a muito tempo é querer me provar e manter intacta a imagem que eu entendo que as pessoas têm de mim. Até certo ponto pode ser um bom mote, um bom incentivo para alcançar objetivos. Mas quando coloco no espectro atual da minha vida, a provação nada mais é do que abrir mão de mim para fazer aquilo que eu acho que é ...

11

Em um dia no começo de 2011, estávamos na sala da casa do Miguel. Era mais uma sexta ou sábado qualquer de narguile, cerveja e risadas. Em certo momento, estávamos todos meio entediados, deitados entre os três sofás daquele cômodo enorme e eu soltei, sem pensar muito, a seguinte frase: "Sabe o que eu comeria agora? Um Big Mac.". A frase despretensiosa foi imediatamente seguida por um auê do meu irmão, que começou a rir e gritou "O QUE?". Veja bem, lá no começo de 2011 já faziam dois anos que eu não comia carne. Filha de um pai que faz churrasco todos os finais de semana e com um irmão que só faltava comer pedra com sal, o vegetarianismo se tornou algo engraçado, uma piada interna da nossa família.  O tédio se esvaiu e deu para sentir a energia da sala mudar. Meu irmão se levantou, pegou seu celular na mesa e começou a fazer um vídeo. "Repete o que você falou" - ele começa. "Xuxu, pelo amor..." "Vai, repete". "EU COMERIA UM BIG MAC...

Let pain be gracious

  Já faz um mês que o meu mundo virou de cabeça para baixo. Um mês questionando sobre tudo o que antes era seguro, conhecido e respeitado. O que antes eram borboletas no estômago, agora é dor de estômago nervosa. Lá no dia 13 de março de 2022 ele veio, sem anúncio e preparação nenhuma, me dizer que não queria mais morar junto. Que precisava ter seu próprio espaço e construir sua individualidade. Que lá em 2019, quando vim para São Paulo, ele tomou a decisão consciente de morarmos juntos porque era o certo a se fazer, mas que não era o que ele queria. Doeu. Dói ainda. Por mais que eu entenda as motivações, é muito difícil separá-las da possibilidade de que ele talvez só não queira mais estar comigo. E então eu perguntei. “Tem outra pessoa? É algo sobre nós? Alguma coisa entre a gente mudou?”. Não, não é sobre nós, ele afirma, é sobre ele. E mesmo assim, depois de quase oito anos de relacionamento, dentre os quais quatro foram a distância, eu comecei a ter inseguranças. Comecei...