Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2017

Entre amigos.

Draft from  March 10, 2013 -Engenharia, hun? Quem diria...  Ela percebeu um certo tom de reprovação e mesmo decepção na frase.  -Sim, - respondeu sem olhá-lo - engenharia.. Seis anos. Estou meio surpresa com o quanto estou gostando, na verdade.  Silêncio. Em sua bolsa estavam algumas das suas anotações nas aulas da semana. Planejou mostrá-las, mas percebeu que não era uma boa ideia. Ela ficou encarando seu copo com água tônica.  -Desistiu de uma vez de Arquitetura?  -Eu desisti de cursar Arquitetura.  Ele a encarou meio cínico. Ela o enfrentou.  -Ser engenheiro não significa que  não posso gostar de humanas e de artes.  -Na verdade significa.. mais ou menos.  -Ok, se é o que você pensa.  -Desculpa. Só não te vejo desenhando na mesma escrivaninha que você usa sua calculadora científica.  "Engenharia Ambiental". Só me fala como você foi de uma coisa para outra.  Ela voltou a olhar para a água tônica. Não ...

Cru

Será que algum dias as coisas foram tão simples como eu sinto falta delas serem? Será que algum dia os sentimentos e sensações eram tão claros como eu imagino, tão primordiais? Fome é fome, sono é sono, tristeza é tristeza, alegria é alegria. Aqui, agora, no meio do caminho dessa existência bizarra, toda a minha vida é permeada de inuendos e insinuações. Tudo é subjetivo. Há sempre uma segunda intenção ou um resquício ao qual não fui perspicaz o suficiente para captar. A vida é um filme que passa pelos seus olhos e você só entende o filme depois, ou quando alguém te passa a visão dela sobre o enredo. Algumas pessoas, arrogantes e cheias de si, agem como se o filme fosse óbvio, como se soubessem exatamente a mensagem que o diretor e o roteirista quiseram passar. Elas têm tudo nas mãos, ou acham que tem. Mas não, nunca sabemos. O próprio filme vem de uma interpretação e só mostra uma parte do que querem nos mostrar. Vivemos uma vida de sentimentos crus travestidos de complexidade...

O nome disso não é responsabilidade.

Anos se passaram e aparentemente a escrita é a única válvula de escape realmente eficiente na minha vida. Em algum momento entre as crises existenciais de uma adolescente de 15 anos e a entrevista de estágio na segunda-feira, eu esqueci o poder que isso tem sobre minha vida. Isso. Sentar, escrever, minuciar esses pensamentos que corroem minhas têmporas e que hoje em dia as pessoas gostam de chamar de "overthinking". Em algum momento, a vida ficou cheia demais. Não podia simplesmente sentar e escrever sobre os meus pensamentos porque existiam trabalhos e provas para serem feitos. Em algum momento, eu não tive mais tempo de me deixar sentir, entrei no piloto automático. E então algo aqui dentro deu um clique. Não como o clique de 2013 que quase me fez pular de uma janela ou o clique de 2011 que desligou todo o meu mundo por uma semana. Não, esse foi um bom clique. Sem perdas, apenas um reencontro. Quando comecei a escrever para alguém, eu simplesmente precisava compartil...