Anos se passaram e aparentemente a escrita é a única válvula de escape realmente eficiente na minha vida. Em algum momento entre as crises existenciais de uma adolescente de 15 anos e a entrevista de estágio na segunda-feira, eu esqueci o poder que isso tem sobre minha vida.
Isso.
Sentar, escrever, minuciar esses pensamentos que corroem minhas têmporas e que hoje em dia as pessoas gostam de chamar de "overthinking".
Em algum momento, a vida ficou cheia demais. Não podia simplesmente sentar e escrever sobre os meus pensamentos porque existiam trabalhos e provas para serem feitos.
Em algum momento, eu não tive mais tempo de me deixar sentir, entrei no piloto automático.
E então algo aqui dentro deu um clique. Não como o clique de 2013 que quase me fez pular de uma janela ou o clique de 2011 que desligou todo o meu mundo por uma semana. Não, esse foi um bom clique. Sem perdas, apenas um reencontro.
Quando comecei a escrever para alguém, eu simplesmente precisava compartilhar o turbilhão de sentimentos que estava dentro de mim. Eu sentia uma euforia imensa, mesmo quando o que me atormentava era a angústia de um coração em dúvida. Eu sentia um borboletário inteiro na boca do meu estômago e eu precisava drenar isso de alguma forma para diluir a euforia do sentimento e conseguir vivenciar aquele momento de fato. O nome disso é adolescência.
Agora eu me vejo eufórica querendo voltar a ser um pouco daquela Marcela, porque ela era bem mais sã e consciente. Cheguei na tenra idade de quem ainda é jovem, mas já sente saudade de ser mais jovem ainda. O clique de hoje foi faltar em uma outra entrevista de estágio porque a representante do RH nos proibiu de usar o termo "agrotóxicos" na dinâmica em grupo. A ficha caiu. "Eu estou tão desesperada por uma vaga que realmente me coloquei na posição de me sujeitar à tudo o que eu desprezava?". Não, não estava. Não estou. Ainda existe um resquício de singularidade aqui dentro. Mamãe diz que não estou sendo responsável, "apenas ingênua". Isso talvez indique que ainda há tempo. O nome disso é tentar ser a adulta que sonhei ser.
Ainda posso sentir, ainda posso sonhar e sofrer por um coração partido. Cansei de sentir apatia por um mundo que por tanto tempo me fascinou.
Voltei.
Isso.
Sentar, escrever, minuciar esses pensamentos que corroem minhas têmporas e que hoje em dia as pessoas gostam de chamar de "overthinking".
Em algum momento, a vida ficou cheia demais. Não podia simplesmente sentar e escrever sobre os meus pensamentos porque existiam trabalhos e provas para serem feitos.
Em algum momento, eu não tive mais tempo de me deixar sentir, entrei no piloto automático.
E então algo aqui dentro deu um clique. Não como o clique de 2013 que quase me fez pular de uma janela ou o clique de 2011 que desligou todo o meu mundo por uma semana. Não, esse foi um bom clique. Sem perdas, apenas um reencontro.
Quando comecei a escrever para alguém, eu simplesmente precisava compartilhar o turbilhão de sentimentos que estava dentro de mim. Eu sentia uma euforia imensa, mesmo quando o que me atormentava era a angústia de um coração em dúvida. Eu sentia um borboletário inteiro na boca do meu estômago e eu precisava drenar isso de alguma forma para diluir a euforia do sentimento e conseguir vivenciar aquele momento de fato. O nome disso é adolescência.
Agora eu me vejo eufórica querendo voltar a ser um pouco daquela Marcela, porque ela era bem mais sã e consciente. Cheguei na tenra idade de quem ainda é jovem, mas já sente saudade de ser mais jovem ainda. O clique de hoje foi faltar em uma outra entrevista de estágio porque a representante do RH nos proibiu de usar o termo "agrotóxicos" na dinâmica em grupo. A ficha caiu. "Eu estou tão desesperada por uma vaga que realmente me coloquei na posição de me sujeitar à tudo o que eu desprezava?". Não, não estava. Não estou. Ainda existe um resquício de singularidade aqui dentro. Mamãe diz que não estou sendo responsável, "apenas ingênua". Isso talvez indique que ainda há tempo. O nome disso é tentar ser a adulta que sonhei ser.
Ainda posso sentir, ainda posso sonhar e sofrer por um coração partido. Cansei de sentir apatia por um mundo que por tanto tempo me fascinou.
Voltei.
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