Draft from March 10, 2013
-Engenharia, hun? Quem diria...
Ela percebeu um certo tom de reprovação e mesmo decepção na frase.
-Sim, - respondeu sem olhá-lo - engenharia.. Seis anos. Estou meio surpresa com o quanto estou gostando, na verdade.
Silêncio. Em sua bolsa estavam algumas das suas anotações nas aulas da semana. Planejou mostrá-las, mas percebeu que não era uma boa ideia. Ela ficou encarando seu copo com água tônica.
-Desistiu de uma vez de Arquitetura?
-Eu desisti de cursar Arquitetura.
Ele a encarou meio cínico. Ela o enfrentou.
-Ser engenheiro não significa que não posso gostar de humanas e de artes.
-Na verdade significa.. mais ou menos.
-Ok, se é o que você pensa.
-Desculpa. Só não te vejo desenhando na mesma escrivaninha que você usa sua calculadora científica. "Engenharia Ambiental". Só me fala como você foi de uma coisa para outra.
Ela voltou a olhar para a água tônica. Não sabia como responder àquela pergunta.
-Sei lá... Interesses diversificados.
Ele bufou de leve.
-Ei.. - retomou a menina- só quero te lembrar que uma das melhores pessoas que nós conhecemos morreu com 21 anos e ainda estava descobrindo o que queria da vida. Isso não o fez melhor ou pior que ninguém.
-Muito baixo você sempre usar esse argumento.
-Ele sempre é válido. E sabe, é engraçado como todo mundo diz para se fazer o que gosta e quando isso finalmente acontece comigo, uma das pessoas que eu nunca achei que me jugaria vem com uma postura totalmente preconceituosa.
Ele ficou surpreso com o comentário.
-Não é isso.. eu só... -e suspirou fundo, tentando encontrar as palavras- só não quero ver você mudar por conta disso. É um tanto quanto difícil encontrar alguém pra se conversar sobre, sei lá, Allen Ginsberg.
-Acredite, a única coisa que me faria gostar menos do Ginsberg seria se um novo Ginsberg nascesse.
E ele deu um sorriso de leve.
-Vamos ver...
- Enfim. Terminou de ler o Foucault?
-Engenharia, hun? Quem diria...
Ela percebeu um certo tom de reprovação e mesmo decepção na frase.
-Sim, - respondeu sem olhá-lo - engenharia.. Seis anos. Estou meio surpresa com o quanto estou gostando, na verdade.
Silêncio. Em sua bolsa estavam algumas das suas anotações nas aulas da semana. Planejou mostrá-las, mas percebeu que não era uma boa ideia. Ela ficou encarando seu copo com água tônica.
-Desistiu de uma vez de Arquitetura?
-Eu desisti de cursar Arquitetura.
Ele a encarou meio cínico. Ela o enfrentou.
-Ser engenheiro não significa que não posso gostar de humanas e de artes.
-Na verdade significa.. mais ou menos.
-Ok, se é o que você pensa.
-Desculpa. Só não te vejo desenhando na mesma escrivaninha que você usa sua calculadora científica. "Engenharia Ambiental". Só me fala como você foi de uma coisa para outra.
Ela voltou a olhar para a água tônica. Não sabia como responder àquela pergunta.
-Sei lá... Interesses diversificados.
Ele bufou de leve.
-Ei.. - retomou a menina- só quero te lembrar que uma das melhores pessoas que nós conhecemos morreu com 21 anos e ainda estava descobrindo o que queria da vida. Isso não o fez melhor ou pior que ninguém.
-Muito baixo você sempre usar esse argumento.
-Ele sempre é válido. E sabe, é engraçado como todo mundo diz para se fazer o que gosta e quando isso finalmente acontece comigo, uma das pessoas que eu nunca achei que me jugaria vem com uma postura totalmente preconceituosa.
Ele ficou surpreso com o comentário.
-Não é isso.. eu só... -e suspirou fundo, tentando encontrar as palavras- só não quero ver você mudar por conta disso. É um tanto quanto difícil encontrar alguém pra se conversar sobre, sei lá, Allen Ginsberg.
-Acredite, a única coisa que me faria gostar menos do Ginsberg seria se um novo Ginsberg nascesse.
E ele deu um sorriso de leve.
-Vamos ver...
- Enfim. Terminou de ler o Foucault?
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