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Let time me patient

"Pensa bem. Você não tem que provar nada para ninguém. Eu quero ver você bem, ver você feliz. Pensa Ma, pensa mesmo, pensa com carinho. Não se prenda a ele e ninguém, só em você."

Achei que conseguiria passar um dia sem chorar ou me sentir a menor pessoa do mundo. Ouvir a clara preocupação na voz da minha mãe enquanto tento ao máximo manter a voz firme e animada é, contudo, de partir o coração.

"Você não tem que provar nada para ninguém."

Essa afirmação ecoa na minha cabeça desde que nos falamos e tenho tentado trazer isso para a realidade. Eu sempre sinto que preciso provar algo. Sinto isso desde que consigo me lembrar, na verdade. Se tem algo que me move a muito tempo é querer me provar e manter intacta a imagem que eu entendo que as pessoas têm de mim. Até certo ponto pode ser um bom mote, um bom incentivo para alcançar objetivos. Mas quando coloco no espectro atual da minha vida, a provação nada mais é do que abrir mão de mim para fazer aquilo que eu acho que é certo ("acho" sendo a palavra imperativa). 

Apesar de todos os maus sentimentos que a escolha do Lucas trouxe na minha vida, ela trouxe um ponto muito necessário para ambos: a importância de desenvolvermos nossa individualidade. Comecei a refletir o quanto que decidir ficar em São Paulo é uma vontade minha. Comecei a pensar no que eu vejo para a minha vida nesse momento em que estar sozinha é uma alternativa que eu não necessariamente preciso escolher. 

Entra ano e sai ano, e parece que volto sempre para o mesmo lugar, para a mesma dor. Volto para momentos de mudança que, para outra pessoa, provavelmente não seriam tão significativos. Para outra pessoa, esses momentos seriam apenas uma transição entre o ponto A e o ponto B. Certamente não seriam fonte de desespero, desamparo, desolação. E me pergunto o porquê ajo assim frente a conflitos ou mudanças.

Por que, a partir do momento em que o Lucas falou que não queria mais morar junto, eu imediatamente pulei para um estado de insegurança e desconfiança? Por que não consigo desvincular a válida necessidade dele de estar sozinho, ainda que em um relacionamento comigo, da hipótese de que ele na verdade não quer estar comigo e só não me informou ainda? Por que comecei a desconfiar do celular dele, dos atrasos dele? Por que comecei a repensar tanto as minhas roupas, os meus trejeitos e os meus interesses?

Até consigo identificar a origem desse modus operandi. E sei que preciso tratá-lo em muitas próximas sessões de terapia. Contudo, agora o meu maior medo é perceber que a decisão dele foi baseada não só por querer se entender como indivíduo, mas porque me tornei desinteressante, porque não tem mais tesão e arroubo, ainda que tenha amor. E com isso volto para a frase de dona Elen. Eu não preciso provar nada para ninguém. Nem mesmo para o Lucas. Não preciso me sacrificar e mudar quem eu sou por ele. E não farei isso, porque nada disso está sob meu controle. Inclusive, essa será uma real oportunidade de lembrar ou descobrir quem é a Marcela de 28 -quase 29- anos. 

Ainda assim, a situação toda dói. Não porque preciso estar com ele para me sentir validada. Dói porque eu tenho o interesse. Eu tenho o tal tesão e arroubo por ele. A ideia de que ele não tenha mais por mim me corrói por dentro porque rejeição sempre vai doer.

Quando olho para o futuro, eu vejo ele. Quando penso nos meus sonhos e metas, consigo vislumbrar aquilo que é só o meu ao mesmo tempo que avisto viagens junto com ele, momentos importantes de apoio e superação, decisões tomadas em conjunto e amor, muito amor. Me tira o sono ver que a possibilidade de que tudo isso será suspenso é uma ameaça próxima. Claro que não temos controle sobre o sentimento do outro, mas é realmente tão errado não querer que acabe? É tão imaturo da minha parte querer agir e fazer o que está dentro do justo para não perder esse relacionamento? É tão infantil não ser indiferente à possibilidade de um fim?

Concordo que não preciso provar nada a ninguém. 

Sei que quero e preciso ficar em São Paulo para ver o acontece quando eu não fujo para minha zona de conforto.

Pactuo que não posso ter expectativa e controle sobre o sentimento do outro. 

Admito que as inseguranças advindas da minha cabeça deverão ser tratadas por mim.

Mas não posso fingir que estou bem. Não posso engolir a dor. Preciso encarar de frente, considerar o pior e esperar o melhor. Ainda preciso chorar, ouvir palavras de conforto e sinceridade. Preciso abrir mão da voz firme e abraçar a falta de ímpeto para estar animada.

Como diria Belchior, "todo sofrimento passa, mas o ter sofrido não". E o sofrimento ainda não passou.








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