Apesar do nosso marco ser o dia 11 de maio, eu tenho um dia só para mim para contabilizar o tempo de relacionamento que dividimos.
1º de abril.
Tenho certeza que em algum momento em escrevi para você que esse foi o dia em que algo dentro de mim mudou, em relação a você. "Como uma pegadinha". Uma crise em uma cidade ainda estranha, e a única coisa que diluiu meus maus sentimentos foi pensar em você. Alguém que, até então, me irritava. E foi nesse dia eu percebi que não era por você ser irritante, mas porque você foi a primeira pessoa em muito tempo que me desafiou de alguma forma, que me surpreendeu, que trouxe algo novo para uma realidade já muito acomodada.
Como prova viva da minha rejeição à mudança, temos o último mês e meio. Desde que você me falou que gostaria de morar sozinho, meu mundo virou de cabeça para baixo. Não só pelas inseguranças que desenvolvi, mas pela forma brusca como me vi saindo de tudo aquilo que eu conheço: o apartamento, o bairro, a rotina, o funcionamento de uma vida estabelecida. Oito anos e vinte cinco dias depois, cá estamos com você me desafiando, me surpreendendo e trazendo algo novo mais uma vez. Se lá em 2014 a novidade foi você, em 2022 a novidade somos eu e você, juntos, mas olhando para a individualidade. A novidade é aprendermos quem somos. E atenção ao meu cuidado em não usar a palavra "lembrarmos", porque realmente acredito que nunca tivemos a oportunidade de aprender quem somos um "sem" o outro).
Desde o nosso começo, eu tive muito claro em minha cabeça a perenidade do que estávamos construindo. Algo que também te falei diversas vezes é o fato de que eu acreditava substancialmente que eu não encontraria um par, um companheiro. Tinha certeza de que isso não estava nas estrelas para mim, mas você mudou tudo. Desde o começo eu senti não só amor, mas um carinho e um respeito muito grande, algo que ainda tenho dificuldade de colocar em palavras. Maior do que a beleza de sentir tudo isso, é sentir a reciprocidade desses mesmos sentimentos.
Remeter a essa poderosa lembrança é o que tem me ajudado a dissolver todas as incertezas que urdi desde o dia 13 de março de 2022 (você sabe o quanto me atenho a datas). Não sei o que nos guarda o próximo mês, o final de 2022, os próximos anos. Isso me assusta, sim. Contudo, sei, com todas as forças do meu corpo, que eu quero continuar compartilhando minha vida com você. Quero construir uma nova fase junto, ainda que em lugares separados e com rotinas diferentes. Quero continuar pensando em você para sentir algo bom, compartir das minhas tristezas e das minhas alegrias, sentir prazer e amor com você e vislumbrar um futuro para nós, feito por nós, da forma como nós considerarmos melhor. Porque se tem algo que fazemos muito bem, é encontrar nossa própria harmonia.
Obrigada por me proporcionar algo do qual não me sentia digna em um dia encontrar.
Obrigada por ser a pessoa que mesmo quando pode me magoar ou chatear, sabe o que é melhor para mim, para você e para nós, sempre.
Obrigada pela paciência e "a calma de um amor tranquilo".
Só tinha de ser com você.
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