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A sorte de um amor tranquilo no fim das contas não é sorte

No espaço de tempo entre a primeira vez que quis segurar a sua mão até hoje parece que muito se passou. Na verdade, são poucos meses, menos de meio ano.

Esse gesto marca para mim o entendimento de que o que estávamos construindo era de fato um relacionamento. Até então, eu ficava em cima do muro tentando entender se o que estava acontecendo – e o que eu queria – era apenas casual ou algo mais profundo.

Lembro claramente de estarmos descendo a Augusta depois de uma decisão espontânea de ir para um bar, sem saber qual, em uma noite para a qual já estava preparada para ficar em casa de pijamas (adoro a espontaneidade que você trouxe para minha vida, mas deixemos isso para outro texto). Eu olhei para você e para mão e foi como se eu projetasse o calorzinho que eu gostaria de estar sentindo em meus dedos. A vontade de querer sentir sua pele e me sentir conectada a você estava transbordando de mim, quase como instinto. Pensei “Será que é íntimo demais? Será que ele vai achar estranho?”. E então você tropeçou, eu tropecei, quase caímos logo em seguida e sem cerimônia você alcançou a minha mão e não largou mais.

Sem cerimônia você chegou, me mostrou o quanto de amor eu ainda posso sentir e o quão simples pode ser. Talvez em nossas cabeças a gente tenha alguma indagação sobre o que fazer, como fazer, mas na convivência nada tem drama, procedimento. Nosso arranjo para as coisas mais simples do dia, como viver uma manhã, tem uma harmonia maravilhosa. Não tem muito o que dizer, o que instruir, o que pedir. A gente se acerta, a gente vive e compartilha e sempre sem cerimônia. É como se fizéssemos isso a muito tempo. É como se a gente não conhecesse outro status que não a tranquilidade de uma dinâmica harmoniosa.

Pensar que nessa época do ano passado eu estava vivendo a certeza de que nunca mais conseguiria me conectar com outra pessoa é quase cômico. Sem querer parecer piegas demais, talvez seja verdade que a gente precisa passar por certas coisas para se entender melhor. A sorte de um amor tranquilo no fim das contas não é sorte, é maturidade.

E eu realmente agradeço todo o processo que me trouxe até aqui, capaz de aproveitar esse amor e essa vulnerabilidade em toda sua plenitude.

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