Todo jovem pensa em algum momento que gostaria de estar vivendo em um filme. Seja para experimentar coisas novas, conhecer lugares, se apaixonar perdidamente e ser feliz, ter ótimos insights. Coloca-se uma expectativa grande do que o cotidiano deveria ser, como se a sensação de plenitude e realização estivesse atrelada à ocorrência de coisas extraordinárias.
É óbvio que o extraordinário é gostoso, que existem momentos da nossa vida que vão nos tirar do eixo - para o bem e para o mal -, mas existe uma beleza na satisfação do dia-dia que parece ser muito mais forte do que o choque de viver nos picos da extraordinariedade.
Sinto que muito dessa ânsia por situações românticas que jovens têm com a ficção vem da insatisfação que se tem por si mesmo. A adolescência e os 20 anos são movidos a muita energia e resistência, mas certamente são fases de tentativa e erro, de se entender, de se comparar com todos porque não se tem uma referência clara de quem é, para onde vai, com quem, por que. E tudo precisa ser imediato. Com o tempo a gente entende que mais importante que a velocidade é a direção que tomamos. Cada um de fato tem o seu tempo, mas todos passaremos pelo período de apenas se rebelar contra o tempo, porque ele não funciona como gostaríamos. A tal insatisfação por si mesmo.
A melhor habilidade adquirida nos meus 30 anos de vida é minha capacidade e gosto pela minha própria companhia e a liberdade que me permito viver. Tenho um cerne caxias muito grande, ainda acho uma perca de tempo dormir depois das sete da manhã, mas hoje em dia eu não me sinto mal se isso acontecer (o que era muito recorrente até pouco tempo). Seja porque eu assisti um filme até tarde, porque meu bem está dormindo comigo ou simplesmente porque São Paulo assume seu estereótipo e amanhece como terra da garoa, está tudo bem. E melhor que estar tudo bem, é sentir que é assim porque você está em total sintonia com si mesmo. Você entende o que você gosta, o que você precisa naquele momento. É se respeitar no nível de se deixar tomar a decisão por si mesmo, e não por qualquer fator externo, expectativa ou idealização do que a vida deveria ser.
E digo que essa é minha melhor habilidade porque ela foi conquistada a duras penas. Sempre fui muito conectada à minha família e nunca me senti realmente em casa fora da casa dos meus pais. Nunca tinha morado sozinha, então sempre contava com a presença de outras pessoas para preencher qualquer vazio que existisse no meu dia. Estive em um relacionamento por oito anos, o que me deu um porto seguro para todos os desafios que surgiram nesse tempo. É como se nos meus 20 anos tudo fosse uma questão de quando as coisas aconteceriam e agora é uma questão do por que elas acontecem.
Enfim, esse é apenas um registro de um momento em que tudo está muito bem, para que esse blog não seja apenas um refúgio para os dias difíceis.
É sobre estar se apaixonando por mim e por um novo alguém, é sobre conseguir equilibrar trabalho e vida pessoal, curtir meus amigos, minha casa e a cidade que escolhi para mim.
E, o melhor de tudo, saber que eu me basto.
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