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The Pattern

Meu padrão é não errar.

Tenho um pavor tão grande de errar, de cometer um deslize ou de estar equivocada, que evito o confronto, a exibição, a avaliação. É algo tão forte que sinto a presença desse medo em boa parte da minha vida, das experiências que tive e as que quis ter frente às oportunidades que vieram e eu não as tomei. Meus momentos de coragem e quebrar esse padrão são aqueles que mais me trazem orgulho e aprendizado. E mesmo sabendo de tudo isso, é incrivelmente difícil mudar esse comportamento.

Olho para trás, em todas as vivências profissionais que já tive, e sempre protelei a etapa de validação com o gestor ou consulta com um professor, orientador, colega. Hoje meu modus operandi é simplesmente me resguardar como uma profissional solitária que faz tudo por conta e entrega o que precisa com mais da metade do caminho andado. Não me entregar à ideia de que talvez eu não saiba tudo atrasa meus prazos, desorganiza meu planejamento e me coloca em uma posição muito mais vulnerável do que a da pessoa que errou: me torno a pessoa que falhou

Pensando sobre isso, me veio a pergunta "O que acontece quando estou errada?"

Nada. Absolutamente nada. O mundo continua girando, na pior das hipóteses, minha gestora corrige o meu trabalho junto comigo, as entregas continuam existindo e, eventualmente, são entregues. Mesmo antes, nas outras empresas, acredito que sempre fiz um bom trabalho. Então por que esse medo? Às vezes penso comigo que agindo como ajo eu consegui chegar aqui, uma pessoa que "sempre fez um bom trabalho". Que nesses oito anos de experiências profissionais eu consegui enganar todas as pessoas muito bem, a ponto delas acreditarem que eu de fato sou capaz, que eu de fato sei o que estou fazendo. 

Mas a verdade é que quase nunca eu sinto que eu sei. E agora, quando todos os efeitos desse mau comportamento (ansiedade, desorganização, falta de comprometimento...) tem aflorado constantemente no meu dia-dia, não sei dizer ao certo se meu problema é não saber o que estou fazendo ou se é achar que eu deveria saber. 

Para encontrar soluções de forma rápida e eficaz, comecei a procurar respostas prontas. Deixei de lado a minha criatividade, minha capacidade de pensar, de raciocinar. Nessa busca ansiosa em ser a pessoa que sabe tudo e faz tudo - ou ao menos manter tal imagem - eu virei uma máquina, alguém que desaprendeu a pensar por conta própria. 

Hm. Que final trágico para alguém que um dia escrevia estórias, desenhava, procurava lições de vida em músicas e filmes e gostava de estar sempre rodeada de pessoas. O que diria ela para a Marcela de hoje, que trabalha sozinha em casa, passa dias sem ver ninguém e que a qualquer sinal de uma atividade nova e sem solução, fica paralisada e tem crises de ansiedade? 

Há dias que venho me perguntando de onde vem esse medo.

A minha inteligência é atrelada à minha personalidade desde que consigo me lembrar. A menina estudiosa, caprichosa. A estudante nota dez. A adolescente que lia mais livros do que podia comprar. A pessoa com "bagagem cultural", seja lá o que isso quer dizer. A vestibulanda que passou com 17 anos em duas federais. O resquício de pessoa enlutada e traumatizada que ficou com medo de decepcionar os pais porque quis largar uma dessas federais e colocou o luto em segundo plano. A moça que em uma segunda tentativa ao ensino superior, passou na tal Unicamp. A mulher que ouviu de absolutamente todos os caras com quem se relacionou que a coisa mais sexy nela era seu intelecto. 

Um padrão repetido por basicamente todo mundo a minha volta. Algo que sempre foi dito e proclamado como elogio, e que de fato o é, mas que criou um fardo para carregar. O que transformou o elogio em martírio, eu não sei. Não sei quando a chave virou para o lado negativo e sufocante de algo que sempre passou de positivo e exaltante. 

No fim das contas o medo deve vir da sensação de se eu não tiver isso, não sou mais nada. Se eu não for a pessoa inteligente e que faz tudo, não sei o que mais eu posso ser. E esse não saber com certeza é o pior de todos.



The Pattern - 13/05/2022, 16:11

"Do you tend to embrace or deny the parts of you that are uniquely different? 

When you are able to behold what makes you uniquely different, you can embrace the wholeness of who you are - and show others that it’s safe enough to do the same.
Hopefully you can use this time to make peace with all the lost parts of yourself and generate the healing and renewal you need to feel complete.


Do you fear the unknown? Can you release your expectations of how things ‘should’ be? 

If there are controlling tendencies in your unconscious, you're more likely to see them with this energy. Notice those feelings, but try to not be overly hard on yourself. If you’ve been in a space where you’re over-questioning your decisions or trying to guess all the outcomes, reframe your perspective and trust in the mystery of what will be.

When you release the expectations of how you think things “should” be, you open up more room for unexpected shifts and expansions in your consciousness. Everyone is multifaceted, we all have different stories and experiences that have shaped us. Acknowledge the shadows and lessons of the past, and release them. The intention is for you - and others around you - to embrace the complexities of who you are without shame.

It's time for you to confront any deep-seated worries of parts of you that you've been repressing. It may help to look at any fear-based behaviour you see in the world - and think about how it mirrors your own longstanding anxieties. You're now being asked to let go of your attachment to what scares you. Free yourself from what's been holding you down - so you can move on."

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