Cheguei em casa e coloquei a mochila pesada em cima da cama. Fui direto para o quarto dizendo um alô sem olhares para as meninas. Tirei o notebook, as roupas, o material de estudo e a carteira enquanto o desespero e o pânico tomavam conta do meu peito, da minha cabeça, do meu cabelo, do meu corpo inteiro. Sentia que queria resistir às lágrimas que queriam escorrer, mas não consegui. Logo juntei as roupas da semana passada e, mais uma vez sem olhar para as meninas que dividem a casa comigo, parti para a máquina de lavar roupa.
Ao mesmo tempo que queria estar sozinha para que ninguém visse aquelas lágrimas incontroláveis caindo, queria um abraço, um "calma, Marcela, vai ficar tudo bem".
E está tudo bem. Mamãe e papai estão bem, assim como a Mari, as vovós e o amor. A faculdade está difícil, mas estranho seria se não estivesse. O trabalho também está correndo tranquilamente. Porém algo rodeia meu mundo em paz.
Um assalto a mão armada na rua de casa envolvendo duas das amigas que moram comigo.
Isso me fez estremecer e reconsiderar a ideia de sair da casa segura e confortável dos meus pais para voltar para a minha casa durante a semana. Me fez reconsiderar a ideia de morar em outra cidade. Me fez odiar o fato de estudar à noite. Me fez não querer ser a mulher-alvo do marmanjão com uma arma na rua escura depois das 22:00hrs. Me fez refletir sobre o por que desse marmanjão se achar no direito de levar sem mais nem menos o celular que custou muito a ser pago e a auto estima que custou muito a ser estruturada.
Nada nem sequer aconteceu comigo e já me sinto indefesa, pequena, vulnerável. Não posso deixar de ir a aula, usar meu celular e abandonar minha personalidade, mas o medo permeia minhas horas de forma tão profunda que fico me perguntando até que ponto eu posso atrair esse tipo de infeliz acontecimento.
Se esse é um mundo a ser movido pela lei de amor, deveria começar tendo mais paciência comigo assim como prestar atenção em meu pensamentos. Em algum nível nosso pensamento deve ser matéria... Se esse é um mundo habitado por pessoas de bem, eu não deveria temer as pessoas que ainda não conseguiram chegar lá. Deveria amá-las na noção de que o ato de minutos que ela pode cometer contra mim, em nada se compara a infinitude do meu ser. Deveria, deveria, deveria.
Tento.
Ao mesmo tempo que queria estar sozinha para que ninguém visse aquelas lágrimas incontroláveis caindo, queria um abraço, um "calma, Marcela, vai ficar tudo bem".
E está tudo bem. Mamãe e papai estão bem, assim como a Mari, as vovós e o amor. A faculdade está difícil, mas estranho seria se não estivesse. O trabalho também está correndo tranquilamente. Porém algo rodeia meu mundo em paz.
Um assalto a mão armada na rua de casa envolvendo duas das amigas que moram comigo.
Isso me fez estremecer e reconsiderar a ideia de sair da casa segura e confortável dos meus pais para voltar para a minha casa durante a semana. Me fez reconsiderar a ideia de morar em outra cidade. Me fez odiar o fato de estudar à noite. Me fez não querer ser a mulher-alvo do marmanjão com uma arma na rua escura depois das 22:00hrs. Me fez refletir sobre o por que desse marmanjão se achar no direito de levar sem mais nem menos o celular que custou muito a ser pago e a auto estima que custou muito a ser estruturada.
Nada nem sequer aconteceu comigo e já me sinto indefesa, pequena, vulnerável. Não posso deixar de ir a aula, usar meu celular e abandonar minha personalidade, mas o medo permeia minhas horas de forma tão profunda que fico me perguntando até que ponto eu posso atrair esse tipo de infeliz acontecimento.
Se esse é um mundo a ser movido pela lei de amor, deveria começar tendo mais paciência comigo assim como prestar atenção em meu pensamentos. Em algum nível nosso pensamento deve ser matéria... Se esse é um mundo habitado por pessoas de bem, eu não deveria temer as pessoas que ainda não conseguiram chegar lá. Deveria amá-las na noção de que o ato de minutos que ela pode cometer contra mim, em nada se compara a infinitude do meu ser. Deveria, deveria, deveria.
Tento.
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