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' Essências que vão de melão a menta impregnam o ar. As bebidas gelam, a comida é o que menos importa e nas próximas horas não faltará assunto para se conversar. Boas amizades são assim, não são? Nunca faltará assunto, o silêncio é opcional.
 A música de fundo obedece ao ânimo das pessoas. Começou com o pagode, foi para o sertanejo, partiu para umas eletrônicas animadinhas e hip hop. Com a bad trip do álcool , alguém colocou um indie-alternativo-melancólico. Ainda assim, todos conversavam, trocavam copos e baforavam fumaça que deveria ter gosto de chiclete mas parecia iogurte.
 Era quase sempre assim. Era o momento em que merdas como responsabilidade, emprego, faculdade, brigas e falta de tempo eram irrelevantes. Estavam todos juntos, todos animados, todos felizes, mesmo aquele amigo que vira filósofo em algumas madrugadas. Mesmo quando em suas cabeças, eles se dão conta do tempo que passou desde o Ensino Médio, de quantos amigos já ficaram para trás, de quantas pessoas queridas que tiveram que ir embora.
 Envelhecer não tem sido fácil. Mal se chega nos vinte e já se percebe o quão chato o tempo pode ser. É aquela fase complicada em que não se sabe se é adulto ou adolescente, se está tentando muito ser 'crescido' ou se ainda há abertura para acordar meio-dia em uma quarta-feira. Fica-se meio indeciso entre querer que o tempo passe rápido de uma vez ou retroceda para os seus catorze anos.
 Você tenta virar o copo para espantar esse tipo de devaneio e percebe que já bebeu tudo. Levanta-se para pegar alguma outra coisa, olha ao redor para os seus queridos amigos e mais uma vez tenta pensar em outra coisa, afinal não é momento para ficar chateado, se preocupando com merdas.
 Não hoje, não com eles. (...)'

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