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Mano à mano

 Até alguns minutos atrás, o dia cinco de Setembro era apenas o dia em que seu grande ídolo -o grande Freddie Mercury- nasceu.
 Aparentemente é Dia do Irmão também.
 Feliz é aquele que sabe o que é ter alguém para infernizar a vida e ser infernizado ao mesmo tempo. Começou a mexer nas fotos do seu notebook à procura dos rostos do irmão e da irmã. Não conseguia imaginar sua infância sem essas duas pessoas, mesmo aprendendo agora o que é ser quase adulta sem uma delas.
 Não chora por conta do irmão. Não hoje, não agora, pelo menos. Mas o dia não deixa de ser mais uma desculpa para pensar em boas lembranças e lembrar da saudade que ele causa. Ao longo dos meses vai percebendo que apenas os bons momentos ficam. Não se lembra muito como eram as brigas, os dias que ficavam sem se falar.. na verdade está começando a esquecer a voz dele. Mas ela se lembra do quando ele foi buscá-la na universidade com o som do carro no último, das sextas e sábados que saíam juntos, das madrugadas dirigindo e cantando 'The Final Countdown', de ficar fumando narguile aos domingos e de sua risada. Do sorriso originado por mais de cinco anos de aparelho fixo. Das canelas finas que ela tirava sarro. Do moicano que virou sua marca registrada.
  Ela olha sua irmã deitada na cama lendo e em seus pensamentos torce para que ela não perca outra pessoa como perdeu seu irmão, tão repentinamente. Quase como impulso, se obriga a deixar de lado essas ideias com medo de ficar muito melancólica em plena quarta-feira.
 Fecha as fotos, fecha sua memória e deixa apenas um Freddie Mercury, que teria 66 anos, cantando ao fundo.

These are the days of our lives

"The days were endless, we were crazy, we were young. 
The sun was always shinin' -we just lived for fun...
Sometimes it seems like lately -I just don't know
The rest of my life's been just a show"

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