Querido Christopher,
é estranho pensar que te adoro desde 2008 quando faziam dezesseis anos que você tinha falecido. Te conheci numa das fases mais peculiares da minha breve vida, aquela em que eu não sabia nada sobre mim, pensava apenas em viajar, viajar, viajar. Veio de você minha primeira inspiração de simplesmente largar tudo e ir embora, cair na estrada, conhecer pessoas diferentes, viver apenas com o necessário, andar sem carro, me virar com quase nada de dinheiro.
Lógico que quando comentava sobre essas coisas com as pessoas, a maioria me achava estranha, porque afinal a minha ideia (sua, na verdade), era um tanto utópica. 'Como assim, fugir? Como assim, quase sem dinheiro? Quer morrer de fome, de frio? E sua família, seus amigos?'.
Na época apenas levantava minha sobrancelha esquerda como se a pessoa não tivesse profundidade para entender a questão e começava outro assunto.
Agora, depois de três anos e pouco, eu vejo que sua situação era diferente da minha. Você não se dava bem com seus pais e era bem solitário. Eu sou totalmente ligada à minha família e tenho meus amigos. Te pergunto hoje se a sua foi a melhor saída. Não que eu tenha perdido aquele desejo incontrolável de viajar, de me ver totalmente ligada com a minha pessoa.. não, não mesmo! Minha lista de destinos a visitar antes de morrer só cresce. Mas sabe, gosto da ideia de ter um lar para o qual voltar, ter pessoas a me esperar. Por muito tempo você viveu sem essa perspectiva. Era você e o selvagem, mais nada.
Mas enfim, a verdade é que você foi quase um guru para mim por muito tempo. Sem você sabe-se quando teria lido Thoreau, Tolstoi, Dostoievski, Jack London -e mesmo Kerouac, um dos meus preferidos- e ter entrado em contato com toda essa cultura meio hipster, meio geração beat que me ensinou tanto. Sabe-se quando ia perceber as maravilhas do Alasca e ter uma imensa vontade de conhecer esse lugar. Sabe-se quando ia entender de verdade o valor do contato do homem com seu eu mais profundo, com a natureza e a dissolução do ego.
Obrigada, 'Alex Supertramp', por tudo que me mostrou e bem, nos vemos no Magic Bus de algum jeito.
Abraços.
“(…) SEM JAMAIS TER DE VOLTAR A SER ENVENENADO PELA CIVILIZAÇÃO, FOGE E CAMINHA SOZINHO PELA TERRA PARA SE PERDER NA FLORESTA”.
é estranho pensar que te adoro desde 2008 quando faziam dezesseis anos que você tinha falecido. Te conheci numa das fases mais peculiares da minha breve vida, aquela em que eu não sabia nada sobre mim, pensava apenas em viajar, viajar, viajar. Veio de você minha primeira inspiração de simplesmente largar tudo e ir embora, cair na estrada, conhecer pessoas diferentes, viver apenas com o necessário, andar sem carro, me virar com quase nada de dinheiro.
Lógico que quando comentava sobre essas coisas com as pessoas, a maioria me achava estranha, porque afinal a minha ideia (sua, na verdade), era um tanto utópica. 'Como assim, fugir? Como assim, quase sem dinheiro? Quer morrer de fome, de frio? E sua família, seus amigos?'.
Na época apenas levantava minha sobrancelha esquerda como se a pessoa não tivesse profundidade para entender a questão e começava outro assunto.
Agora, depois de três anos e pouco, eu vejo que sua situação era diferente da minha. Você não se dava bem com seus pais e era bem solitário. Eu sou totalmente ligada à minha família e tenho meus amigos. Te pergunto hoje se a sua foi a melhor saída. Não que eu tenha perdido aquele desejo incontrolável de viajar, de me ver totalmente ligada com a minha pessoa.. não, não mesmo! Minha lista de destinos a visitar antes de morrer só cresce. Mas sabe, gosto da ideia de ter um lar para o qual voltar, ter pessoas a me esperar. Por muito tempo você viveu sem essa perspectiva. Era você e o selvagem, mais nada.
Mas enfim, a verdade é que você foi quase um guru para mim por muito tempo. Sem você sabe-se quando teria lido Thoreau, Tolstoi, Dostoievski, Jack London -e mesmo Kerouac, um dos meus preferidos- e ter entrado em contato com toda essa cultura meio hipster, meio geração beat que me ensinou tanto. Sabe-se quando ia perceber as maravilhas do Alasca e ter uma imensa vontade de conhecer esse lugar. Sabe-se quando ia entender de verdade o valor do contato do homem com seu eu mais profundo, com a natureza e a dissolução do ego.
Obrigada, 'Alex Supertramp', por tudo que me mostrou e bem, nos vemos no Magic Bus de algum jeito.
Abraços.
“(…) SEM JAMAIS TER DE VOLTAR A SER ENVENENADO PELA CIVILIZAÇÃO, FOGE E CAMINHA SOZINHO PELA TERRA PARA SE PERDER NA FLORESTA”.
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