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Acordei procurando o celular ao lado do meu travesseiro. Era madrugada ainda, tudo escuro, minha irmã dormindo no outro lado do quarto. Deitei olhando para o teto e me dei conta da dor terrível que sentia no meu pescoço e da tontura que não passava. Tentei usar o truque de colocar um pé no chão para sentir estabilidade, mas não deu certo.. nunca dá.
Comecei a lembrar das poucas coisas que lembrava: a bebida, a amiga, a outra amiga, uma colega, muito, mas muito choro mesmo, o vazio que sentia e a fraqueza que me abateu.
Achei que estivesse bem, que não me sentiria mais daquele jeito. Apesar de que é fato que beber deixa a gente muito vulnerável. Afinal, para que eu faço isso, para que eu bebo, por que eu tenho que fazer isso quando saio? Não quero que beber vire uma necessidade, não ficar como o meu tio. Não quero sentir aquele vazio e aquela saudade do meu irmão amplificados cada final de semana em que eu sair com meus amigos. Não quero que eles pensem que eu afogo minhas mágoas e nem que passo mal por beber.
Minha irmã se mexeu na cama, mas não, não acordou.
Sigo pensando.
Preciso dormir, preciso mesmo.

Oito e quarenta e quatro da manhã. Cedo demais para um domingo, mas é assim mesmo, não passo das nove. A dor no pescoço permanece. Não me sinto bem, alguma coisa me angustia muito e estou extremamente desanimada. Quero chorar, ou simplesmente ficar deitada e não encarar o olhar preocupado dos meus pais. Alguma coisa séria aconteceu ontem a noite, alguma coisa a qual não lembro.
Minha família está na sala e não estou com disposição para ficar lá. Queria estar, mas não estou. Porra, mas que merda que está acontecendo comigo? Será que é só saudade de você, Xuxu? As vezes parece que é mais, que é alguma coisa que eu ainda não controlo. Ninguém ligou, e a única pessoa com a qual conversei estava estranha comigo, o que é a última coisa que eu precisava agora.
Fazia tempo que não sentia essa coisa ruim..
Espero que passe, amanhã é outro dia.

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