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No dia treze de março de dois mil e onze me mudei para Araras, interior de São Paulo para começar minha vida de universitária. Sou estudante de Agroecologia na UFSCar e moradora/bixete de uma república feminina onde moram, comigo, treze meninas. Meus últimos quatro meses foram uma loucura e por muitas vezes pensei em desistir do curso, da cidade, das pessoas e da oportunidade pela vontade de ficar perto da minha família e dos meus amigos, afinal, tinha dezessete anos e apenas uns finais de semana em que meus pais viajaram de experiência em não morar com eles. Tomei trote, tomei ralo (nem vale a pena explicar), bebi demais, comi muito alho, cebola, boldo.. Me ajoelhei para muitos veteranos para que eu pudesse me apresentar e lógico, fiz as vontades das veteranas da minha república. Saí da mordomia de ter uma mãe que cozinha muito bem e do conforto da minha querida casa para uma cozinha entregue a mim e às outras bixetes que mal sabiam cozinhar. Chorei muito, mas muito mesmo.. tanto que meu apelido, Xolei, serviu como uma luva, até demais. Perdi meu avô, um segundo pai; perdi meu irmão. Dei de cara com um bando de gente desconhecida que nada sabia sobre mim, a não ser se eu tinha a capacidade de lembrar o nome de todos os veteranos do CCA.
Servi cervejas e mais cervejas nas festas que tive que ir, limpei bota de agrônomo, tomei reforcinho, bebi óleo de cozinho (Taio, nunca vou te perdoar por isso).
Tudo pela escolha que fiz de morar em república.
Terça feira foi minha libertação. Ouvi muitos veteranos dizerem 'Ano que vem você vai sentir falta disso'. Um até chorou de emoção quando contou sobre sua libertação. Lógico que na minha cabeça mandava eles à merda e pensava 'Por que diabos eu me sujeito à tudo isso?' . E mais uma vez: pela minha escolha. Fiz questão de aguentar até o final para ver que eu não escolhi errado e que eu fiz a coisa certa. Fiz questão de chorar o quanto precisei para ficar aliviada e enfrentar tudo o quanto desse.
E aqui estou, com as pernas ferradas, com o estômago zuago, com os braços doloridos e uns roxos que não sei de onde vieram. Mas que saber, só fazem dois dias e eu já sinto falta. Porque mesmo que tardiamente, vi que o negócio é se divertir, avacalhar e zuar, porque eu nunca mais vou ter a chance de vestir calça com cueca por cima, subir num freezer e cantar sertanejo sem que me chamem de louca.
Sou universitária e quero tirar o máximo de proveito disso, porque sei que é uma oportunidade única. Escolhi e escolhi certo e se me pedissem para voltar para o dia em que vi meu nome na lista de chamada, voltaria e faria tudo de novo, porque valeu a pena e poxa, EU ESTOU LIBERTA!
(...)

Comentários

Franzé Oliveira disse…
Viva a libertade!!!
Parabéns menina.
Sucesso em sua vida.
Beijos no coração.