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Não me lembro quando foi a última vez que escrevi alguma coisa aqui no blog e em vez de ficar mal por ter parado de me dedicar à escrita, vou simplesmente escrever, porque preciso soltar em algum lugar essa agonia que está dentro de mim e todos os meus cadernos e canetas estão embalados.
Que porra de dois meses foram março e abril. Nem meus dezoito anos sexta-feira salvou. Mudei de cidade por causa da faculdade e foi difícil lidar com a mudança. Eu deveria estar indo para minha república agora e estou pensando em ir só amanhã de manhã; eu ainda adio o quanto for possível minha volta para Araras. Meu avô morreu dia vinte e dois de fevereiro. Meu irmão morreu dia vinte de abril. Mudei de casa depois de sete anos e meio. Ano que vem mudarei de novo, quando a casa que meus pais estão construindo ficar pronta. As vezes pego minha mãe chorando e meu pai deitado na cama olhando o teto. Perdi duas provas na faculdade e em onze dias que fiquei em casa, não abri um livro.
Mas não se deixe levar. Eu não fico chorando, eu não fico deitada na cama com o quarto trancado, eu estou comendo e dormindo normalmente, saio com meus amigos, estou rindo e conversando como sempre e em casa está a mesma coisa. Meus pais têm seus momentos, mas estão bem, de verdade.
O problema é que desde ontem a noite eu não aguento essa vontade de gritar, de sair correndo e fugir; não suporto essa agonia, esse medo, esse desespero, essa vontade de largar a UFSCar, fazer cursinho e ficar em Campinas; não sei lidar com o choro que não sai e o mau-humor que atinge meus pais, minha irmã e qualquer pessoa que chegue perto de mim.
Precisava mesmo era lutar contra esses sentimentos, ir pra Araras, chorar pra caralho, fazer a prova mesmo que de qualquer jeito, porque afinal, não é o fim do mundo. Não é!
Estou mal.. de verdade, me sinto mal. Não sei o que fazer e acho que acima de qualquer coisa que está me incomodando agora, ter noção que estou mal e não conseguir fazer nada é o pior sentimento de todos. .

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