Estou sentada numa cadeira super confortável. Aliás, estou praticamente deitada, já que meus pés com o All Star mais rasgado que eu já vi estão apoiados na mesa de vidro que segura pizza, Coca-cola, cigarros, bolsas, um livro e uns cotovelos alheios.
Tenho a impressão que estou com dor de cabeça. Não estou sentindo a dor, mas parece que ela está lá, só esperando que eu fique desprevenida para começar a agir. Deve ser esse calor dos infernos. Shorts, camiseta do AC/DC, óculos escuros as oito da noite e unhas vermelhas. Porque escolhi uma das minhas camisetas mais escuras nessa noite quente do caramba? A piscina está ali, bem na minha frente, pedindo para que alguém movimente suas águas calmas demais. Não, não, estou com dor de cabeça, não quero nadar.
Meu tempo ocioso em que não faço nada além de ler, ouvir música, sair com meus amigos, jogar Wii, ir em festas sexta, sábado e domingo e ficar deitada no quintal fazeno merda nenhuma estão para acabar. Não sei se vai ser no dia sete de fevereiro ou catorze de março. Depende da Comvest. Mas mesmo assim, a perspectiva de que a melhor época da minha curta vida está para acabar me deixa anciosa. Não me deixa triste, mas não me deixa feliz. Somente anciosa.
A Giu olha para mim e diz num sorriso 'Você está muito rockstar hoje..'. Culpa da posição de quase-deitada numa cadeira e a cara de tédio crônico junto com os óculos.
Rockstars não sentem tédio, sentem? Os verdadeiros, eu digo. Sei lá, eles usam ácido e o caralho a quatro para evitar o tédio. O que é fascinante é que eles tem uma cara de tédio natural, como se o mundo que está ao redor deles fosse a coisa mais blasé que pudesse existir.
Eu me contento com um copo de Coca-cola que, espero, vai me deixar acordada.
'É..' -penso eu, olhando o quintal- 'se eu pudesse viveria assim.. casa do Fê numa quinta-feira de Janeiro, nada para fazer a não ser conversar, conversar, conversar.. Se desse para incluir viajar o mundo nessa vida, eu estaria completa..'
Ahh, lá vem.
Dor de cabeça.
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