Ontem me disseram que uma das maiores características do mundo moderno se resume na frase "Eu não tenho tempo" e ao me dar conta de que é verdade, senti uma profunda angústia. É uma realidade com a qual eu convivo, mas nunca tinha parado um tempo para pensar nisso. Hm, isso é mentira. Já parei pra pensar sim, mas foi quando eu tinha uns sete anos e queria saber porque minha mãe não tinha tempo -em plena quinta feira a tarde- de me levar no extinto Aerokids.
Ultimamente minha relação com o tempo é a seguinte: implorar. Imploro por mais tempo, que ele não passe tão rápido com excessão às aulas de Química B. Não vi esse ano passar, especialmente o último mês, está tudo muito corrido e muito amontoado. Não dá para acreditar que caminhei para a última apostila Anglo da minha vida, que fui para Florianópolis, que fiz um falso aniversário de sexta pra sábado, que já faz um mês que minha vó fez seus 80 anos, que o segundo turno já é domingo, que fiz minha última verificação de conteúdo ontem e meu penúltimo simulado hoje. Essas são só algumas coisas.
Por isso quando o professor André disse que um dos males do século é a falta de tempo e o estresse, me senti estranha: eu vivo assim durante a semana. Eu não tenho tempo para ler um livro que eu queira, que não vá cair no vestibular, não baixo as discografias das bandas que anotei em algum rascunho, não converso com meus amigos que não convivem comigo durante a semana, não troco ideias com meu pai e sento para contar tudo para minha mãe, não vou passear com a Jureminha, não vou visitar meu primo de cinco anos que me ama até demais e que eu amo até demais. Uso a pressão de passar em uma boa universidade como desculpa. Alguns usam o trabalho cansativo, a família, o namorado ciumento.
Espero que seja uma fase. Quero sair aos finais de semana, viajar, ver meus amigos, conversar até não poder mais, virar a noite.. Sinto falta da madrugada; adoro a madrugada! Quero ouvir todas as músicas que puder e ler o livro que eu quiser. Quero, principalmente, seguir o conselho que mais dou: equilíbrio.
Acredito que tudo, mas tudo mesmo, tenha que se basear na ideologia do equilíbrio. Nada de mais nem de menos. A não ser tempo.. as vezes o tempo poderia ser um pouquinho de mais..
Só um pouquinho, as vezes.
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