Pular para o conteúdo principal

Ao fechar dos olhos.

'Uma tela em branco a encarava. Não vinha nada na sua cabeça. Isso é incomum, ela sempre estava com muitos pensamentos .. uns filosóficos, outros alheios. Pensamentos. Fechou os olhos..Isso a deprimiu! Não vinha sequer a imagem de uma daquelas flores de cinco pétalas que desenhava aos cinco anos à sua cabeça.. ela se sentiu vazia. Escrever , pintar e desenhar eram paixões; ela não conseguia viver sem essas atividades. Quando estava a frente de um papel com linhas vazias, uma tela sem tinta à óleo ou um lápis de cor sem uso, era como se algo despertasse dentro dela.. ela adorava esse sentimento.Abriu os olhos e a tela ainda a encarava. Tentou refletir no que a inspirava. O que fazia ela querer desenhar, pintar , escrever. Lhe veio na cabeça uma sensação de bem-estar , alegria e ao mesmo tempo desespero e angústia. Emoções fortes a inspiravam.. pensou mais um pouco e surgiu a imagem de seu amor. Aquele mês de Dezembro que passaram nas praias no litoral paulista. Sempre com a preferência no litoral Norte. Pegou a caneta vermelha e escreveu uma frase. Fechou os olhos de novo e lembrou da briga com a pessoa mais importante pra ela , quando tinha completado 11 anos, e de como foi boa a reconciliação. As festas de Natal no interior, as tardes no quintal da sua vó, a vinda das suas tias uma vez por ano, as viagens de carro com a família, a varanda do seu aparatamento quando era criança, os momentos com sua alma gêmea, o pacto com suas melhores amigas aos 15 anos, o primeiro beijo aos 12, sua escola, as ruas do seu condomínio a alguns anos atrás, a primeira vez que dirigiu um carro, a sensação quando ouvia 'Forever Young', 'These are the Days of our Lives, 'Champagne Supernova' e tantas outras que marcaram sua vida. Tentou juntar todas as boas sensações em um texto. Respirava fundo e mais lembranças viam à tona. Esconde-esconde com os amigos aos 11 anos, apresentações de fim de ano aos 5 anos, sua caixinha do Letronix aos 9 anos, as lutinhas com seu irmão por brincadeira que lhe causou um galo enorme na cabeça e muitas risadas, nadar em sua piscina de mil litros, notas excelentes em suas matérias preferidas, seus amigos na colação de grau da oitava série, do terceiro colegial, as saídas..Olhou para a a paisagem através da janela que ficava em cima de sua mesa. Ao olhar para baixo a tela estava preenchida. Nunca se sentira tão aliviada.. ainda podia fazer algo que a completava. É só fechar os olhos.'

fim de Janeiro de 2008.

Comentários

Letícia S! disse…
Esse texto é lindo, jezuuis :')
(L) au revoir, monga :*
Nomundodalua disse…
ainn adorei..ateh pq me fez lembrar coisas meio antigas q me trazem boasa recordações ou sei la alguns desejos q eu tinha qd era mais nova.. :D mui bom garotinha! continue assim :D

ps: tava sem net, por isso ausencias ;// mas vorteii ;**

fica bem!!
Vinicius disse…
É só fechar os olhos e a cortina do real se debruça. Abre-se a cortina da cena, onde tudo aconteceu e acontece. Como o pintor, pintamos nossa história na tela branca, com tons do nosso querer. Belo. Você escreve muitissimo bem.

Abraço,

R.Vinicius